brechó

Voltou à vitrine após algum tempo. Desta vez exposto, parecia mais vibrante, iluminado, tropical. Já o havia visto, em outras ocasiões, desfilando no corpo de outra. Na época, não reparou além da estampa - e se não tornasse a vê-lo, talvez nem recordasse a cor. Não fazia o estilo, e ela usava outra marca. Agora que estava com peso e medida diferente; agora que era uma pessoa mais solta, que não se limita a um jeans básico com regata branca - nem condena, nem evita; agora que era verão e ela poderia levá-lo a praia, dançar com ele, andar no shopping... Deteve-se na vitrine por minutos, mas não era impulsiva, e ficou de "pensar melhor". Nem reservou. Ele estava na vitrine, era a última tendência. E quanto mais o vissem, talvez mais gostassem dele, e talvez ele se esgotasse antes que ela o pudesse alcançar. Ponderou tentando conter o receio de vê-lo novamente em outra e dessa vez invejar. Voltou lá mais uma ou duas vezes até decidir experimentá-lo; "só pra ver como fica", disse uma daquelas mocinhas. Pegou na mão, sentiu o tecido entre os dedos. Provou. Achou que combinava. Não era questão de necessidade, sabia que era um capricho. Mas tinha tudo a ver com seus acessórios, com os lugares que frequentava; e porque lhe caiu bem, disseram alguns - mas taí uma ocasião em que não se pode ser sincero - mas quantos motivos é preciso listar pra justificar uma consequencia de viver? Contente, já saiu de lá com ele. Levou à vista. Sem culpa e sem receio. Dizem por aí que não tira mais do corpo...

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© 2013 by PRISCILA LOPES
Fotógrafo Leonardo Gaudio


 

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