o plano

Ao girar a maçaneta, abra devagar. A porta irá ranger, e alguém notará sua presença. Entre mesmo assim. Coloque o guarda-chuva no balde que fica ao lado direito da porta, pendure o casaco no cabideiro que está isolado contra a parede, quase de canto. Em dois ou três minutos alguém virá perguntar o que deseja. Se souber, responda - não fará diferença, há uma fila. Talvez sinta-se mais desconfortável sentado num sofá que não tem o seu formato do que em pé, imaginando. Sente-se mesmo assim. Pegue uma revista para ler e finja ter interesse, como se o motivo de ter ido até lá fosse simplesmente pegar aquela - não uma qualquer; aquela - revista para ler. Estará desatualizada e provavelmente você descobrirá, dois anos depois, que a Angelina Jolie acaba de adotar uma criança vietnamita. Não erga as sobrancelhas, não faça do seu rosto um esboço da surpresa. Nem se a Xuxa cantar em trioeletríco, nem se o programa da Hebe sair do ar. Você não está ali para isso, e você sabe - é sempre pior quando se sabe, mas é também um alívio. A tv estará exibindo uma semissenhora que se comunica com um papagaio; ou um mocotó apresentando um video show. Desista. E quando chegar a sua vez, que disserem nome e sobrenome, e você se reconhecer naquilo, levante-se e vá. É inevitável. E você fará isso tantas vezes que logo lhe ocorrerá naturalmente (tão naturalmente que não fará sentido algum uma instrução desta). Neste plano você tem direito a 24 consultas por ano.

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© 2013 by PRISCILA LOPES
Fotógrafo Leonardo Gaudio


 

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